Bloqueios nas estradas geram desabastecimento

Fonte: TNOnline

 

A greve dos caminhoneiros, iniciada na última segunda-feira (21), já ameaça provocar desabastecimento em alguns setores, como mercados e revendas de gás de cozinha na região. Os Correios já anunciaram que as correspondências irão atrasar, além de suspender os serviços de Sedex. Em Ivaiporã, o serviço de transporte coletivo foi paralisado e, em Apucarana, há combustível para rodar por até três dias. Postos de combustíveis já estão sem estoque.

Ontem, longas filas foram formadas nos poucos postos de combustíveis que ainda tinham os produtos em estoque. Alguns deles inclusive elevaram os preços, comercializando a gasolina a até R$ 4,80 o litro em Apucarana. Na tarde de ontem, todos os estabelecimentos já estavam sem gasolina e etanol.

O protesto dos caminhoneiros contra o preço do diesel também está afetando o fornecimento de combustível em Ivaiporã. Por volta das 16 horas, dos nove postos no centro da cidade, seis já se encontravam fechados e um funcionava apenas fornecendo etanol. Nos outros dois, filas de veículos se formavam. Com a grande procura, a previsão era de que o estoque acabasse ainda na noite de ontem. 

Cássio Ostrowski era um dos motoristas que se encontrava na fila para abastecer. Apesar de ter que esperar mais de 20 minutos, ele se mostrava a favor da paralisação dos caminhoneiros. “Mesmo sendo prejudicado pela greve, não penso apenas em mim, a causa é justa e os preços são abusivos. Entro na fila para encher o tanque por necessidade, não por luxo, por isso concordo com a greve”.

 

Leonidas Elmar Schon, proprietário de um dos postos de combustíveis, disse que normalmente o estoque dura de quatro a cinco dias. “Nenhum posto recebe combustível desde segunda-feira. Como houve esta corrida para encher o tanque, o combustível acabou desaparecendo. Pelo jeito que as coisas estão indo, possivelmente meu estoque se encerre até o início da noite”. 

TRANSPORTE COLETIVO

A Prefeitura de Ivaiporã, responsável pelo transporte coletivo gratuito na cidade, retirou os ônibus das ruas pouco antes das 14 horas de ontem, por falta de combustível. “Nosso fornecedor não consegue entregar o diesel para nós por conta dos bloqueios. Por isso, estamos sem ter como colocar os veículos para rodar”, explica o coordenador do transporte coletivo no município, José Maria Carneiro.

Em Apucarana, a mesma medida poderá ser adotada ainda nesta semana. “Temos estoque para dois ou três dias, no máximo. Vamos tentar rodar dentro da normalidade amanhã [hoje], mas há a possibilidade de reduzirmos o número de linhas e também de veículos nas ruas”, afirma o diretor da Viação Apucarana Ltda. (VAL), Roberto Jacomelli.

Revendas de gás e mercados já estão sem estoque

Os supermercados devem começar a registrar falta de produtos a partir de hoje. “Os produtos que mais estão sendo afetados com a paralisação dos caminhoneiros são os da seção de hortifrúti. O leite também pode vir a faltar, já que temos apenas o que está na gôndola, mas nada no estoque. Caso a paralisação continue, outros produtos podem vir a faltar também”, afirma Jefferson Rodrigues, sub-gerente de um supermercado de Apucarana.

O gás de cozinha já está em falta na região. Ontem, várias revendas em Apucarana e Arapongas fecharam mais cedo por não terem o produto em estoque. Em nota, o Sindicato das Empresas de Atacado e Varejo de Gás Liquefeito de Petróleo (Sinegás), prevê o desabastecimento total em dois dias. De acordo com a nota, “os caminhões-tanque estão parados nos bloqueios. Assim, as distribuidoras não terão o produto para fazer o envaze. Já os caminhões carregados com os botijões também não conseguem seguir viagem para fazer as entregas às revendas”.

A presidente do Sinegás, Sandra Ruiz, disse que tomou a posição de apoiar as reivindicações dos manifestantes porque o setor está diretamente ligado ao transporte de cargas e aos reflexos das decisões da Petrobras. “É fato que em breve estaremos com os nossos estoques zerados porque as cargas de gás estão paradas nos bloqueios. Mesmo assim, estamos ao lado dos transportadores porque os constantes reajustes dos combustíveis e os valores dos pedágios refletem diretamente no aumento do custo para as revendas”, explicou.

Os Correios emitiram uma nota informando que estão temporariamente suspensas as postagens dos serviços com data e hora marcados, como o Sedex 10. Segundo o texto, “também haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega dos serviços Sedex e PAC, bem como das correspondências enquanto perdurarem os efeitos desta greve”.

Governo Federal anuncia medidas

Em meio à greve dos caminhoneiros, o governo tem adotado medidas que vão ao encontro das reivindicações. A Petrobras decidiu ontem reduzir os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, pelo segundo dia consecutivo. Os novos preços representarão uma queda de 0,62% no preço da gasolina e de 1,14% no óleo diesel, entrando em vigor hoje.

Já a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou ontem um requerimento de convocação do ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, para participar de audiência pública sobre os reajustes de combustíveis. Por se tratar de uma convocação, o ministro será obrigado a comparecer. Alguns deputados sugeriram que a audiência seja realizada na próxima quarta-feira (30), mas a data ainda não está definida.

Paraná tem mais de 150 bloqueios

De acordo com dados das polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE), divulgados no início da noite de ontem, são ao todo 158 pontos de bloqueio nas estradas do Paraná, sendo 101 em rodovias estaduais e 57 em rodovias federais. Os protestos acontecem em todo o país e têm como principal reivindicação a redução nos preços dos combustíveis. De acordo com os caminhoneiros, as manifestações acontecem por tempo indeterminado.

Na região, são pelo menos seis bloqueios em cinco rodovias. Ontem, um guindaste foi utilizado para içar um trator na paralisação da BR-369, no distrito de Aricanduva, entre Apucarana e Arapongas. O proprietário do guindaste, Antônio Augusto Gomes, disse que utilizou o maquinário como forma de apoiar a greve. “Estamos sendo explorados e desrespeitados pelo governo. A greve é a única esperança que o país tem para voltar a progredir”, disse.

Produtores rurais do Vale do Ivaí também aderiram ao movimento.Desde anteontem, maquinários agrícolas foram colocadas juntos ao trecho de interdiçã, na PR-466, em JardimAlegre. 

Conforme Donizete Pires, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã, a demanda pelo combustível no setor agrícola é grande. Hoje, o setor é responsável pelo consumo de mais de 15% do óleo diesel vendido no Brasil. “Estamos indignados com os preços praticados e somos solidários às paralisações dos caminhoneiros”.

 

Link https://tnonline.uol.com.br/noticias/regiao/32,466614,24,05,bloqueios-nas-estradas-geram-desabastecimento

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.