Saiba como evitar curtos-circuitos e acidentes com gás

Fonte: A Tribuna

Nos últimos dias uma série de incêndios ocasionados por curtos-circuitos e acidentes com gás de cozinha assustaram a população. A situação, segundo o tenente Rodrigo Carvalho Eulálio, do Corpo de Bombeiros é mais comum do que parece e muitas das vezes ocorre por descuidos dos moradores.

Ele alerta que para evitar esse tipo de ocorrência é preciso estar atento aos sinais que os eletrodomésticos dão quando algo não está bem, como: superaquecimento, cheiro de queimado, mau contato, desarme do termostato e fumaça. Estes em caso de problemas elétricos.

Já os problemas envolvendo o gás, a orientação é verificar se as bocas do fogão e forno foram desligadas, se há vazamento na mangueira do botijão e se este está em um lugar arejado, por exemplo.

O tenente ressalta que ter atenção a esses detalhes pode evitar grandes acidentes, com a manutenção adequada e correção de situações falhas. “Essas ocorrências são corriqueiras, mas muitas vezes não vitimizam ninguém e, por isso, não ganham proporção”.

 

Equipamentos elétricos

Eulálio explica que além de verificar todos os sinais dos possíveis problemas é necessário adotar medidas para evitá-los.

“Tudo deve estar de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ANBT). Além disso, sempre que for mexer em tomadas ou trocar lâmpadas deve-se desligar a energia, colocar protetor nas tomadas para evitar que crianças toquem, evitar utilizar benjamins para ligar mais de um equipamento na mesma tomada e utilizar as fiações adequadas na instalação do ar-condicionado”.

O tenente diz que mesmo em stand-by o aparelho está energizado e se não forem seguidas as orientações do fabricante e da ANBR podem apresentar problemas.

“Sempre que desligar da tomada e for manusear o elemento, é preciso esperar a luz (do stand-by) apagar para ter mais segurança, pois o equipamento continua energizado”.

Eulálio também pede que as pessoas não deixem máquinas de lavar, lava-louças, ventiladores ligados enquanto dormem ou ao sair de casa. “Os eletrodomésticos podem apresentar sinais de problema e ninguém estará no local para impedi-los”.

 

Projeto elétrico

Os casos de curto-circuito tendem a ser frequentes, se não houver uma atenção especial às instalações elétricas das residências.

Segundo a professora de Engenharia Elétrica da Unisantos e pós-doutora em Geração e Transmissão de Energia, Maria Aparecida Dos Santos Accioly, o que leva a rede elétrica a entrar em curto é a não adequação da fiação aos equipamentos que serão ligados a ela.

“O ideal é que toda a parte de iluminação seja colocada em um circuito; tomadas de uso geral em outro, e equipamentos como ar-condicionado, chuveiro elétrico e máquina de lavar em circuitos individuais”.

Maria explica que tudo isso consta na ANBT. Mas, além de seguir as regras, outra medida importante a ser adotada é fazer um projeto elétrico das residências que ainda não têm e a manutenção/vistoria de toda rede elétrica do imóvel a cada 10 anos. O trabalho deve ser realizado por um engenheiro elétrico ou civil.

“Esse é o prazo para que o circuito seja refeito ou avaliado. Nesse período, os condutores (fiação) ressecam e pode ter fuga de corrente elétrica, o que pode ocasionar o curto ou um gasto de energia que não está sendo consumida”.

A professora diz que não são equipamentos ligados como máquina de lavar, ventilador e ar-condicionado que vão causar o curto. “Não acho adequado a pessoa se ausentar (com eles em funcionamento) pois se algo ocorrer não estarão no local para evitar o problema”.

O que ocasiona o curto-circuito é muito claro: “O problema do curto está relacionado ao dimensionamento da rede elétrica. Se não for adequado, os condutores (fiação) vão superaquecer, assim como o conduíte (tubo por onde passam os cabos)”.

 

Gás de cozinha

De acordo com o tenente, mais do que problemas no gás de cozinha está o descuido do morador neste ambiente da casa.

“A pessoa deixa a panela no fogo e cochila no sofá, a água da panela evapora, cria-se muita fumaça, a temperatura da casa é elevada e, de repente, as coisas começam a pegar fogo. Cada item da casa tem um ponto de ignição para a queima”.

Além deste descuido, os botijões podem estar com a instalação ou a mangueira errada, o que propicia um vazamento e, consequentemente, a explosão. “O botijão deve estar em um local ventilado e não fechado debaixo da pia, onde o gás pode acumular”.

O tenente explica que a primeira coisa a se fazer após sentir cheiro de gás é abrir janelas e portas e localizar a origem do problema. Nesse momento, o morador não deve ligar nada elétrico, nem aquecer o ambiente.

“Qualquer fagulha pode causar a explosão. E mais: se o botijão estiver com vazamento e perto do fogão aquecido também pode ocorrer a situação, bem como a mangueira pode derreter e ocasionar o mesmo desfecho”.

Segundo Eulálio, o gás do botijão causa mais acidentes. “Por ser mais denso, o produto fica mais no chão e longe das janelas. Ele entra nas tubulações e ralos gerando um risco maior”. A orientação é sempre checar a ligação da mangueira com o galão de gás.

“Ao passar uma esponja com sabão na área dá para ver se do local saem bolhas, caso sim há o vazamento”, diz.

Fogo em casa. O que fazer?

Se a sua casa está pegando fogo o primeiro passo é sair do ambiente e ligar 193. “A vida é o bem mais precioso que temos”. O tenente ressalta que a utilização de extintores só deve ser feitas em casos de princípio de incêndio, ou seja, quando há um foco que pode ser controlado.

Além disso, o profissional alerta que o manuseio do equipamento deve ser realizado por quem é treinado ou faz parte da brigada de incêndio do local. “Ao inciar a ação, a pessoa deve se por sempre entre o fogo e a saída de incêndio para evitar problemas e não ficar presa no imóvel”.

 

Conheça os extintores

Água – utilizado em materiais sólidos que estejam pegando fogo. Não usar em líquidos inflamáveis e nem equipamentos energizados.

Pó químico seco – usar em líquidos inflamáveis e materiais energizados (muitos equipamentos elétricos são danificados em contato com o produto)

CO2 (Dióxido de carbono) – Somente usar em equipamentos elétricos – (o CO2 evita que seja danificada a parte elétrica que não foi queimada).

http://www.sindigas.org.br/novosite/?p=5398

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